
Leiam editorial do Estadão:
Foi preciso uma decisão judicial, tomada na terça-feira, para que o vice-presidente do PSDB, pudesse exercer o direito elementar de acesso ao inquérito instaurado na Corregedoria-Geral da Receita para apurar a devassa nas suas declarações de renda - cópias das quais foram parar em mãos de pessoas corruptas ligadas à campanha da candidata petista Dilma Rousseff. E só assim o País ficou sabendo, já tardiamente, que o sigilo fiscal de outros contribuintes também foi quebrado na mesma ocasião.
Em 16 minutos, na hora do almoço do dia 8 de outubro de 2009, na delegacia do Fisco em Mauá, na Grande São Paulo, foram abertas e impressas várias declarações.
Os sistemas de controle da Receita identificaram como pertencendo à analista fiscal Antonia Aparecida Neves Silva a senha utilizada para a invasão no computador da servidora Adeilda Ferreira dos Santos. Antonia, contra quem foi aberto processo administrativo, admitiu ter passado a senha a Adeilda e a outra colega, Ana Maria Caroto Cano. Todas negam envolvimento no caso. O processo depende de uma perícia que não tem data para terminar. É incerto igualmente se aparecerão os nomes dos autores e mandantes do crime. Se aparecerem, não será antes da eleição.
O que parece fora de dúvida é que a devassa foi ordenada de dentro do apparat petista para a formação de um dossiê a ser eventualmente usado contra o outro candidato, conforme revelado pela Folha de S.Paulo, que teve acesso ao material. Na campanha de 2006, quando ele concorria ao governo paulista, o coordenador da campanha do então candidato ao Senado pelo PT, Aloizio Mercadante, envolveu-se com a malograda tentativa de um grupo de companheiros de comprar uma papelada para atacar o tucano. Eles foram presos em flagrante com uma bolada de dinheiro. O presidente Lula limitou-se a chamá-los de aloprados.
Não se sabe se desta vez também há dinheiro envolvido na sujeira afinal desmascarada. Ainda que haja, deve ter prevalecido na montagem da operação o mais autêntico espírito partidário do vale-tudo para tomar e permanecer no poder, como, por palavras e atos, o próprio Lula ensina sem cessar à companheirada. Esse espírito está na origem do mensalão, do escândalo dos aloprados e das demais baixarias que vieram à tona nestes 8 anos. Do PT se pode dizer, parafraseando uma citação clássica, que nada esqueceu e nada deixou de aprender em matéria de vilania política.
Aprendeu, sobretudo, que os fins não apenas justificam os meios, mas dependem de meios eficazes para ser alcançados. O principal deles é o controle - no sentido mais raso do termo - da máquina pública. Dos muitos objetivos a que serve o aparelhamento do Estado, um dos mais importantes é criar um disseminado e leal “exército secreto”, como já se escreveu nesta página, pronto para fazer os trabalhos sujos que dele se demandem. A ordem tanto pode partir dos mais altos escalões do governo ou da facção criminosa como resultar da iniciativa de indivíduos e grupos que conhecem as regras do jogo na casa e sabem a quem recorrer numa ou em outra circunstância.
No caso da violação do sigilo fiscal de pessoas ligadas a outra legenda, é até possível que Dilma só viesse a saber dela quando já estava em curso ou depois de escancarada. O que teria sido possível graças a inconfidências de membros da campanha em conflito com o setor de onde parece ter partido a decisão de arrombar o cofre de informações da Receita. Mas, na ordem das coisas que contam, o essencial, o assustador, é que se constituiu no governo uma rede de agentes que a qualquer momento pode funcionar como uma mega organização criminosa.
COMENTO
Tenho dito aqui exaustivamente, que os petistas trazem em si o DNA do crime organizado, da bandidagem e da corrupção; este legado é por conta das guerrilhas,
e das organizações criminosas: VAR PALMARES, VAR PARAÍSO, MR-8 e outras mais.
Na verdade essa estrutura, bandida, corrupta e nociva, que se nutre do próprio Estado em que se encastelou, só deverá se fortalecer com a provável vitória suja da candidata guerrilheira e presidencial do PT, cujo o caráter emula como o do próprio Molusco apedeuta. Não podemos esquecer que: Molusco e FHC, são os dois maiores caudilhos do planeta terra, na atualidade. Os fatos são claros, só não ver quem não quer, certo?
Governos submissos, Nação conivente
ResponderExcluir"... Se não te apercebes para integrar a Amazônia na tua civilização, ela, mais cedo ou mais tarde, se distanciará, naturalmente, como se desprega um mundo de uma nebulosa - pela expansão centrífuga de seu próprio movimento" - Euclides da Cunha.
Por Luiz Eduardo Rocha Paiva
Um princípio fundamental à boa condução do Estado é a coerência entre políticas, estratégias e ações efetivamente adotadas, mas não é assim no Brasil. Ao mesmo tempo em que anunciam a Amazônia como prioridade nacional e bravateiam "a Amazônia é nossa", os governos tomam decisões que comprometem a soberania e a integridade territorial na região, submetendo-se a pressões externas.
Isso ficou claro quando o príncipe Charles, filho do presidente de honra da WWF, envolveu-se pessoalmente na questão da Terra indígena Raposa Serra do Sol, realizando reuniões na Europa e visitas ao Brasil antes das sessões decisórias do STF sobre a demarcação da área, chegando a ser recebido pelo presidente da República na véspera da última sessão do Tribunal.
O resultado dessa pressão explícita demonstra a submissão da liderança nacional, iniciada na demarcação da TI Ianomâmi imposta pelos EUA e aliados em 1991. O interesse inglês em Roraima vem da Questão do Pirara (1835-1904) e ressurge como ameaça.
A perda do Acre pela Bolívia em 1903 é um alerta ao Brasil, pois as semelhanças entre o evento passado e o presente amazônico são evidentes, particularmente no tocante às TI. A Bolívia no Acre, por dificuldade, e o Brasil na Amazônia, por omissão, exemplificam vazios de poder pela fraca presença do Estado e de população nacional em regiões ricas e cobiçadas.
O Acre, vazio de bolivianos, era povoado por seringalistas e seringueiros brasileiros, respectivamente líderes e liderados, sem nenhuma ligação afetiva com a Bolívia. No Brasil, ONGs internacionais lideram os indígenas e procuram conscientizá-los de serem povos e nações não brasileiras, com o apoio da comunidade mundial. Assim, no século XIX uma crescente população brasileira estava segregada na Bolívia e hoje o mesmo acontece com a crescente população indígena do Brasil, nas TIs, sob lideranças sem nenhum compromisso com os países hospedeiros e sim com atores externos.
Ao delegar autoridade e responsabilidades nas TIs a ONGs ligadas a atores alienígenas, nossos governos autolimitam sua soberania como fez a Bolívia ao arrendar o Acre ao Bolivian Syndicate, binacional anglo-americana com amplos poderes e autonomia para administrá-lo. Décadas de erros estratégicos enfraqueceram a soberania boliviana no Acre, direito não consumado, pois aqueles brasileiros se revoltaram e separaram-no da Bolívia, que o vendeu ao Brasil.
Não é que a história se repita, mas situações semelhantes em momentos distintos costumam ter desfechos parecidos, para o bem ou para o mal, se as decisões adotadas forem similares. Um cenário de perda, semelhante à sofrida pela Bolívia, existe na calha norte do rio Amazonas, na faixa de fronteira, com destaque para Roraima.