domingo, 11 de novembro de 2012

Presidência da República anunciou em cinco jornais que… não existem! E isso, claro, custou dinheiro! Foi pra quem?

Por Reinaldo Azevedo

Como diria o Chico Jabuti, “quem sabe os escafandristas” um dia decidam investigar as relações do governo do PT com o jornalismo — ou com um troço que até pode lembrar jornalismo, mas que é outra coisa. Na abertura do seminário sobre corrupção, na semana passada, Dilma Rousseff fez o elogio da liberdade de informação: “Estou convencida de que, mesmo quando há exageros, e nós sabemos que, em qualquer área, eles existem, é sempre preferível o ruído da imprensa livre ao silêncio tumular das ditaduras”. Tá bom assim, vá lá. Incomoda-me um pouco a palavra “ruído” aí; sou tentando a perguntar em que sentido ela o empregou. Mas a fala é, sem dúvida, melhor do que aquilo que se ouve na rua petista.
Dilma tem deixado claro que não partirão dela iniciativas para violar a Constituição. Que bom! Conforta-me saber que temos uma presidente legalista. No governo do antecessor, como é sabido, houve mais de uma tentativa de submeter a imprensa à canga do poder. Mas a presidente carrega, sim, um passivo nessa área, herdado de seu padrinho político, que ela manteve intocado: o financiamento, com dinheiro público, da pistolagem política e ideológica travestida de jornalismo — especialmente na Internet. Estatais estampam seus respectivos logotipos em veículos que servem apenas para achincalhar os “inimigos do regime”.
A Folha deste domingo traz uma reportagem de Leandro Colon e Fábio Leite que dá uma pista de como as coisas se dão nessa área. Leiam trechos. Volto depois.
*

A Presidência da República gastou R$ 135,6 mil para fazer publicidade oficial em cinco jornais de São Paulo que não existem. As publicações fictícias são vinculadas à Laujar Empresa Jornalística S/C Ltda, com sede registrada num imóvel fechado e vazio, em São Bernardo do Campo (SP). Essa empresa aparece em 11º lugar num ranking de 1.132 empresas que, desde o início do governo Dilma Rousseff, receberam recursos públicos da Presidência para veicular propaganda do governo em diários impressos. Embora esteja à frente de empresas responsáveis por publicações de ampla circulação e tradição no país, como o gaúcho “Zero Hora” e o carioca “O Dia”, a Laujar não publica nenhum jornal.
Os cinco títulos da empresa beneficiados pela Presidência inexistem em bancas do ABC Paulista, onde supostamente são editados, não são cadastrados em nenhum sindicato de nenhuma categoria do universo editorial e são completamente desconhecidos de jornalistas e jornaleiros da região. Também não aparecem em cadastros municipais de jornais aptos a fazer publicidade de prefeituras.
Além disso, exemplares enviados à Presidência como provas de que as publicações existem contêm sinais de que são forjados. A Laujar mandou as supostas edições do dia 15 de março do ano passado do “Jornal do ABC Paulista”, “O Dia de Guarulhos”, “Gazeta de Osasco”, “Diário de Cubatão” e “O Paulistano”. Todas elas têm os mesmos textos -a única diferença é o nome da publicação. Uma das “reportagens” apresentadas contém declarações do então ministro do Trabalho, Carlos Lupi, dadas no próprio dia 15. O que torna impossível a impressão ter ocorrido na data informada nos jornais. Na verdade, o texto é uma cópia de uma nota publicada no site da Folha na tarde daquele dia.
(…)

A Laujar, por exemplo, declarou que seus jornais tinham uma tiragem total de 250 mil exemplares, vendidos por R$ 2,50 cada. Se a informação fosse verdadeira, as supostas publicações da empresa teriam, juntas, uma circulação parecida com a do jornal “O Globo”, a quinta maior do país. A Secom informou que, em maio, excluiu a empresa de seu cadastro. Não pela inexistência dos cinco “jornais”, entretanto, mas porque segundo o órgão eles não falavam sobre questões específicas dos municípios onde circulavam.

(…)
Encerro
Não basta Dilma Rousseff fazer sua profissão de fé na liberdade de imprensa. Até porque não devemos tomar como favor da Soberana o que, como diria Gregório de Matos, a lei “nos dá de graça”. Se quer mesmo atuar no setor de maneira democrática e transparente, tem de parar de injetar dinheiro público na pistolagem subjornalística. Afinal, a CEF, o BB e a Petrobras, por exemplo, também pertencem àqueles que não são petistas, àqueles que não votaram em Dilma, àqueles que escolheram outros partidos. Dilma pertence ao PT, mas foi eleita para governar todos os brasileiros, incluindo aqueles de quem ela não gosta e que eventualmente também não gostam dela.
Ou há algo de errado nessa minha afirmação?


Postado pelo Lobo do Mar

sábado, 10 de novembro de 2012

Sonho Radical



Por Arlindo Montenegro

Há alguns dias o Alerta publicou o artigo intitulado “As Drogas no Poder”. Destaco o comentário de um anônimo que parece defensor das elites locais, que atuam atreladas às elites controladoras da economia mundial. O comentarista aponta como de importância maior “a culpa do "Socialismo do SeculoXXI-Bolivariano".

E complementa: “Essa merda das drogas tem a ver com a ignorância e omissão da maioria da população da AL, discursos Pro-legalização de usuários recreacionais calçado em falsos dados sociológicos, epidemiologicos em comunhao com comunistas disfarçados de ambientalistas, "Ongueiros", artistas-usuarios, e aventureiros!”

É assim mesmo o mundo: do jeito que cada um imagina na esteira da educação, da experiência e da informação apreendida e atualizada. Estamos sob o fascínio das religiões, das ideologias, do progresso que constrói grandes estádios de futebol, condomínios gigantescos, carros de luxo entupindo as ruas e avenidas com asfalto esburacado.

Quem gerencia este progresso, senão os “nossos governantes livremente eleitos”? Como é possível harmmonizar tantas mentes e tantas crenças diferentes, tantos partidos e tantas variações ideológicas, tantas carências de natureza diversa? Os humanos que vivem confortavelmente vão resistir a mudanças que possam afetar seu bem estar e “segurança”. Que opção temos?

As elites no topo da pirâmide controlam as grandes corporações internacionais, controlam todos os partidos políticos. As cenas de comprometimento com as políticas anglo americanas, europeias, chinesas, russas, sionistas ou islâmicas servem como distração. Todos estes governantes, utilizam o nome de Cristo, Maomé ou de humanos sanguinários como Stalin ou Mao, citando apenas os dois mais destacados, para justificar as matanças.

Quem vai convencer os “donos do mundo” e os que atuam em suas corporações para atender as necessidades humanas? Isto é, para abrir mão dos processos predatórios, das atitudes imperiais e das guerras? Aqueles cidadãos intocáveis, são menos honrados e éticos, constroem e expandem empresas que legalmente têm direitos como “pessoas jurídicas” no mundo inteiro.

Competem fortemente para inviabilizar empresas locais. Atuam em seu próprio benefício, sem responsabilidade para com a nação ou os cidadãos que empregam. Em alguns países encontram todas as facilidades para roubar. Seus lobistas, advogados e executivos atuam subornando políticos e pessoas destacadas nas instituições, para a elaboração de leis e laudos de consultoria, pareceres e relatórios, sentenças e interpretações das leis, que impedem a realização dos mais legítimos sonhos nacionais.

Executivos das transnacionais e banqueiros pagam altos custos para defender seus negócios financiando eleições e facilitando a atuação do crime organizado nos corredores do poder executivo, legislativo e judiciário. Ou serão fantasiosos os documentos que comprovam golpes de superfaturamento de obras, contratos com empresas para a exploração de recursos naturais, riquezas minerais e biodiversidade?

Ou será fantasioso o compadrio e financiamento do Estado para ONGs, empresas de fachada, mensalões, controle de sementes, adubos, comércio de produtos químicos e agrotóxicos que envenenam alimentos e escoam para os rios e partes dos oceanos, como os “acidentes” petrolíferos contribuindo para a destruição da vida.

Aquelas empresas ainda contam com subsídios dos governos submissos. Contam com isenção de impostos pra vender mais carros, estimular mais empréstimos da rede bancária e um emaranhado de transações, contas a pagar e mudanças de comportamento, valores e princípios, numa escalada estonteante e caótica. Em seu histórico, grandes empresas transnacionais buscam o lucro, desprezando qualquer princípio.

Escudam-se nas leis elaboradas por lobistas a serviço da Nova Ordem Globalitária e aprovadas por políticos dependentes das contribuições em tempo eleitoral. Do outro lado os cidadãos, buscando preservar valores espirituais e princípios éticos. Pessoas que sonham com justiça e paz. Pessoas que sonham com um ambiente melhor para os filhos. Pais, professores, religiosos e pessoas bem informadas, que poderiam estar orientando as crianças para sonhar outros sonhos, diferentes do consum ismo. Para sonhar sonhos nobres
 
 Postado pelo Lobo do Mar

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Nome de Lula ainda aparece escrito errado no sistema do TRF-1 na Ação Civil Pública por improbidade



Por Jorge Serrão

Pelo menos até 8h 45min da manhã desta sexta-feira, o sistema de consultar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, ainda está escrito erradamente o nome do réu Luiz Inácio Lula da Silva no processo 0007807-08.2011.4.01.3400. Mas o errado "S" ou o correto "Z" fazem pouca diferença na Ação Civil Pública em que o ex-presidente é denunciado por crime de improbidade Administrativa e dano ao erário.

Desde de 17 de setembro, o caso está “concluso para decisão” do juiz Paulo Cesar Lopes, da 13ª Vara Federal, se Lula e seu ex-ministro da Previdência, Amir Lando, terão de ressarcir os cofres públicos pelos R$ R$ 9.526.070,64 gastos com as cartinhas enviadas aos aposentados e pensionistas do INSS, convidando-os a fazer crédito consignado com o banco BMG – citado no processo do Mensalão. Esta ato de ofício, com provas concretas e objetivas de quem o cometeu, pode ser o detalhe bobo para complicar a vida de Lula, que luta para recuperar sua saúde abalada por um incômodo e doloroso tratamento anti e pós-cãncer na laringe.

Mas, antes da decisão final desta Ação Civil Pública, que pode sair a qualquer momento, se não houver pressões espúrias em contrário, seria bom com corigir o nome do réu. Onde se lê, em caixa alta, “LUIS INACIO LULA DA SILVA”, com “S” de Sapo-Boi Barbudo”, deveria estar escrito “LUIZ INACIO LULA DA SILVA”, com “Z” de Zorra Total... Certo ou errado, a procuradora Luciana Loureiro de Oliveira pede que, condenados, os réus devolvam aos cofres públicos o montante torrado na farra para endividar os idosos da Previdência.

Confira no link oficial da Justiça Federal: http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?secao=DF&proc=78070820114013400

E o Alerta Total alerta novamente: Sem foro privilegiado para prolongar a costumeira impunidade, além deste processo, Lula corre risco de sofrer danos em outra ação parecida. Tudo vai depender da sede de Justiça do futuro presidente do Supremo Tribunal Federal. Joaquim Barbosa pode retirar o estranho segredo de Justiça sobre o Processo Investigatório 2.474. Os 77 volumes em sigilo apuram as supostas irregularidades no convênio entre o Banco BMG e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com a participação da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), para a “operacionalização de crédito consignado a beneficiários e pensionistas”. O caso dormita “blindado”, desde 2007, no Supremo.

Vai devolver o passaporte diplomático?

Será que José Genoino vai devolver até logo mais seu oculto passaporte diplomático – vantagem pouco usual por ele obtida quando era assessor especial do Ministério da Defesa? Desde ontem, o documento tem pouca valia para os condenados no Mensalão. Eles ganharam o “desestatus” de ter o nome na lista do Sistema Nacional de Procurados e Impedidos (SINPI). Só podem deixar legalmente o Brasil se o ministro Joaquim Barbosa permitir.

Pelo menos em tese, o SINPI é consultado obrigatoriamente por Agentes Federais em aeroportos, portos e postos de fronteira antes da autorização para saída ou entrada de qualquer um no Brasil. A exceção é para a privilegiada turminha com passaporte diplomático. Esta entra e sai do País sem problemas. O risco é que, além de Genoíno, que oculta publicamente ter tal documento especial, alguns dos outros 25 réus condenados tenham a mesma regalia.


A língua solta do advogado, megaconsultor transnacional de empresas e blogueiro já causa irritação na maioria dos ministros do STF. Tanto que o relator da Ação Penal 470 e futuro presidente do Supremo até respondeu, indiretamente, a crítica do réu José Dirceu – que classificou de medida preventiva do STF de reter os passaportes como "puro populismo jurídico e uma séria violação aos direitos dos réus ainda não condenados, uma vez que o julgamento não acabou e a sentença não transitou em julgado".

O ministro Joaquim Barbosa foi direto: "Na fase em que se encontra o julgamento, parece-me inteiramente inapropriada qualquer viagem ao exterior por parte dos réus já condenados nesta ação penal, sem conhecimento e autorização deste Supremo Tribunal Federal, ainda que o pronunciamento da Corte, até o momento, não tenha caráter definitivo". Arrogante como sempre e dono da própria verdade – a ponto de defender uma espécie de AI-5 para restringir a liberdade da mídia -, Dirceu continua falando e escrevendo o que bem entende. A diferença é que leva o troco rapidinho.

Em recado indireto para Dirceu, Joaquim Barbosa criticou a postura de réus que "dão a impressão de serem pessoas fora do alcance da lei, a ponto de, em atitude de manifesta afronta a este Supremo Tribunal Federal, qualificar como 'política' a árdua, séria, imparcial e transparente atividade jurisdicional a que vem se dedicando esta Corte". O ministro criticou que alguns agem de forma "incompatível com a condição de réus condenados e com o respeito que deveriam demonstrar para com o órgão jurisdicional perante o qual respondem por acusações de rara gravidade".

Hermanos de Parabéns

Milhares de cidadãos argentinos esclarecidos deram ontem um espetáculo de civismo.

De forma pacífica e ordeira, promoveram um megapenelaço contra a ditadora Cristina.

Os hermanos só querem que ela cumpra a lei, a constituição e respeite a liberdade de imprensa e expressão.


Gilmar Mendes: este julgamento é só a ponta do Mensalão.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira, 9, em São Paulo, que o conteúdo da ação penal do mensalão revela apenas uma pequena parte do alcance da atuação dos mensaleiros. Segundo ele, "a dimensão das provas nos autos da ação penal 470 (mensalão) dá uma ideia da ousadia dos acusados".
 
"Não esqueçamos, o que está judicializado, submetido ao Supremo, é talvez um pequeno porcentual do que ocorreu. Temos aí vários processos em tramitação, talvez 14, 15, sei lá, processos ou ainda inquéritos, investigações, algumas ações iniciadas, nas várias instâncias. Tudo isso forma esse conjunto. O que dá a dimensão da ousadia", afirmou Mendes.
 
O ministro está em São Paulo participando de um ciclo de debates na Escola da Advocacia-Geral da União sobre concessão de rodovias. Indagado se o julgamento do mensalão está perto do fim e se isto ocorrerá até a aposentadoria do presidente da corte, ministro Ayres Britto, ele ironizou. "Por um milagre, as coisas podem acontecer".
Postado pelo Lobo do Mar

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

PT não é mais aquele.


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Oposição entrega representação contra Lula à Procuradoria Geral da República


Por Gabriel Castro, na VEJA.com:

A oposição entregou nesta terça-feira à Procuradoria-Geral da República um pedido de investigação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A representação é baseada em duas reportagens de VEJA mostrando como Marcos Valério, operador financeiro do mensalão, atribuiu a Lula um papel de comando no esquema. O presidente do PPS, Roberto Freire, e os líderes PSDB no Congresso alegam no documento que os novos indícios contra Lula devem ser apurados: “As acusações são gravíssimas e precisam ser investigadas a fundo”, diz a representação.
Em setembro, VEJA revelou como Valério atribui a Lula o papel de chefe do mensalão. O publicitário afirma ainda que o esquema julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) era apenas uma parte da engenharia de movimentação ilícita de recursos montada pelo PT. A última edição de VEJA mostrou ainda que o publicitário procurou o Ministério Público Federal para contar o que sabe – inclusive sobre a morte de Celso Daniel, prefeito petista de Santo André.
O texto de cinco páginas elaborado pela oposição afirma ainda que a chamada teoria do domínio do fato, aplicada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como um elemento condenatório do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, também vale para Lula.
Cobrança
“É público e notório que, à época dos fatos, existia uma íntima ligação entre o representado (Lula) e o ex-ministro da Casa Civil (…). Nesta perspectiva, indaga-se: a teoria do domínio do fato não poderia ser aplicada – e com muito mais razão – ao chefe do próprio José Dirceu?”, perguntam os oposicionistas no documento.
O deputado federal Roberto Freire (SP) diz que a oposição precisava cumprir o seu dever de cobrar. “Estamos pedindo que se esclareça, porque a denúncia é muito grave e quem a fez foi condenado por ser o principal operador do mensalão”, diz ele. Freire também ironiza o silêncio de Lula sobre as afirmações de Valério: “Quem devia estar pedindo investigação era Lula, e não nós”.
Depois de anunciar que assinaria a representação com PPS e PSDB, o DEM recuou: o presidente do partido, o senador José Agripino Maia (RN), acredita ser necessário aguardar as investigações preliminares da PGR sobre as afirmações de Valério.  No PSDB, as orientações sobre o assunto foram desencontradas. No fim, o partido foi representado por suas lideranças no Congresso. Líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR) diz que sempre esteve decidido a assinar o pedido de investigação: “A nós, o presidente Sérgio Guerra não fez nenhuma solicitação. É dever da oposição agir dessa forma”, disse ele.
Em 2005, no auge das denúncias do mensalão, a oposição preferiu não ir à PGR pedir investigação sobre Lula; os partidos optaram por aguardar o curso das investigações. Sete anos depois, é a primeira vez que a oposição apresenta representação contra Lula por seu envolvimento com o mensalão.

Fiasco de CPI




Por Merval Pereira

A CPI do Cachoeira nasceu de uma estratégia equivocada do ex-presidente Lula e de José Dirceu na tentativa de, se não impedir, pelo menos tumultuar o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. Já que o adiamento para as calendas gregas não foi conseguido com o assédio pessoal de Lula a ministros, dos quais o mais vistosamente frustrado foi ao ministro Gilmar Mendes, que denunciou a tentativa de chantageá-lo, partiram os petistas para montar uma CPI que colocaria a oposição contra a parede.

Os objetivos principais eram os oposicionistas de maneira geral, o governador de Goiás Marconi Perillo em particular, o Procurador-Geral da República pelo atrevimento das acusações contra o PT, e a imprensa livre representada pela revista Veja.

O rolo compressor governista, no entanto, não foi suficiente para fazer da CPI uma cortina de fumaça para o julgamento do mensalão, e políticos independentes impediram que a estratégia petista desse certo. Ao contrário, o feitiço voltou-se contra o feiticeiro, e o surgimento da empreiteira Delta com seus vínculos com o bicheiro Carlinhos Cachoeira colocou o governismo numa sinuca de bico.

Frustradas todas as investidas contra seus inimigos, viram-se os petistas na perspectiva de ser a CPI usada contra seus parceiros caso a investigação sobre o empreiteiro Fernando Cavendish fosse adiante. A CPI virou palco de uma batalha, fora do controle, até que oposição e situação viram que era melhor exterminá-la sem dar tempo para novos embates.

O Globo fez um levantamento nos 533 requerimentos que não serão votados e constatou uma “troca de chumbo” entre governistas e oposicionistas que poderia atingir a todos. A oposição propôs uma prorrogação da CPI por seis meses, mas a situação aprovou apenas até o fim do ano, mesmo assim sem nenhuma nova investigação.

Para o deputado Miro Teixeira, um dos líderes da ala independente, os dois lados queriam mesmo esse desfecho, só que alguns posam para a plateia defendendo maiores investigações, mas internamente trabalham pelo fim da CPI. Seria a “bancada do cancã”, que distrai o público com suas danças, na mordaz definição do parlamentar do Rio.

Tem razão Miro Teixeira quando diz que de nada valeria dar sobrevida à CPI se não fosse para quebrar os sigilos de empresas fantasmas do esquema de Cachoeira que receberam dinheiro da construtora Delta. Mas essa quebra não interessava aos governistas de diversos matizes.

Uma peculiaridade da trama criminosa do bicheiro Cachoeira é que ela é pluripartidária, perfeitamente adaptada aos tempos pragmáticos de coalizões amplíssimas e sem nenhum nexo programático entre tais partidos abrigados pelo generoso guarda-chuva governista.

Cachoeira ia além, e unia governistas e oposicionistas, sem distinção. O ex-senador Demóstenes Torres, expulso do DEM, e o governador Marconi Perillo, do PSDB de Goiás, que deve ser indiciado pelo CPI, são exemplos goianos desse multipartidarismo. Assim como o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, representa o petismo e se não for também indiciado será devido à maioria esmagadora do governo na CPI.

O fato é que a construtora Delta tinha ramificações em todos os estados e por todos os partidos, sendo a mais notória ligação com o governador do Rio Sérgio Cabral, do PMDB, que teve todo o apoio do governo federal para impedir que o sigilo da construtora fosse quebrado. A CPI do Cachoeira vai se encerrar sem nenhuma contribuição a dar, e enviará os dados que recebeu sob sigilo ao Ministério Público, que investiga o esquema. Mesmo assim por que parlamentares independentes procuraram por conta própria o Ministério Público em Goiás para combinar a remessa desse material, para que não se perdesse.

Mais um fiasco a confirmar que o Congresso precisa se reciclar para não continuar com a imagem negativa que tem diante da opinião pública.

Merval Pereira é Jornalista a membro da Academia Brasileira de Letras. Originalmente publicado em O Globo em 3 de novembro de 2012.


Por Cardoso Lira

Mensalão: vai se fechando o cerco em torno de Lula.

PSDB e PPS pediram nesta terça-feira (6) à PGR (Procuradoria Geral da República) a abertura de inquérito para investigar se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve participação no esquema do mensalão. Os dois partidos afirmam, na representação protocolada nesta terça-feira (6) na PGR, que as recentes revelações do publicitário Marcos Valério, apontado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) como operador do mensalão, justificam a abertura de uma nova ação penal que tenha Lula como foco.
 
"À época dos fatos, existia uma íntima ligação política e pessoal entre o representado e o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, entendido como o chefe da quadrilha pelo STF. Nesta perspectiva, indaga-se: a teoria do domínio do fato, que foi utilizada para a condenação de José Dirceu, não poderia ser aplicada - e com muito mais razão - ao chefe do próprio José Dirceu?", questiona a oposição.
 
Na representação, os dois partidos citam reportagens da revista Veja em que Valério teria afirmado que Lula seria o chefe do esquema criminoso e que o publicitário teria pago propina, a pedido do PT, para silenciar pessoas ligadas ao assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002.
 
PSDB e PPS também citam memorial encaminhado pelo advogado de Valério ao STF, Marcelo Leonardo, em que afirma que o "mero operador do intermediário seja a pessoa púnica de forma mais severa nesta ação penal, ao lado do tratamento brando que se pretende dar aos verdadeiros chefes políticos e interessados diretos no esquema".
 
Segundo a oposição, a própria defesa de Valério "traz elementos que colocam em dúvida a frase que reiteradamente foi repetida pelo ex-presidente, no sentido de que ele não sabia de nada".Na representação, PSDB e PPS pedem que o procurador inste a revista Veja a apresentar os indícios do envolvimento de Lula, citados nas matérias publicadas.
 
Os dois partidos afirmam que estavam dispostos a formular a representação desde o mês de agosto, mas decidiram esperar o fim do julgamento para não "tumultuar" a análise da ação penal pelo Supremo. "Agora que a fase de reconhecimento da culpabilidade se encerrou, restando apenas a fixação das penas, nada mais impede que os fatos sejam rigorosamente apurados", afirmam os partidos.
 
O DEM, que também assinaria originalmente o pedido de investigações, manteve a decisão de não apoiar a representação. O partido acha mais "prudente" aguardar a manifestação do Ministério Público sobre o depoimento de Valério, uma vez que o publicitário prestou depoimento ao procurador.
 
A representação é assinada pelo presidente do PPS, Roberto Freire (SP), o líder do partido na Câmara, Rubens Bueno (PR), além dos senadores Álvaro Dias (PSDB-PR), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e o deputado Mendes Thame (PSDB-SP).
 
Dias decidiu assinar o pedido por considerar que é "dever" da sigla pedir a investigação - uma vez que o publicitário Marcos Valério fez novas revelações do esquema em depoimento sigiloso prestado à procuradoria. Depois de submeter sua decisão à bancada do PSDB no Senado, teve o apoio de outros colegas do partido.
 
Apesar da decisão, Dias não consultou formalmente o comando do PSDB para aderir à representação. A Folha apurou que, como o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, está em tratamento médico, o líder decidiu assinar a representação sem uma decisão formal da sigla. (Folha Poder)
Postado pelo Lobo do Mar

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Instituto Lula vira central de lobby e de um corrupto governo paralelo.


Por Cardoso Lira


Criado para fornecer ao público o acervo pessoal do ex-presidente da República, o Instituto Lula virou um gabinete paralelo de poder do PT em São Paulo. Do sobrado de vidros escuros, vigiado por câmeras e protegido por cerca elétrica no bairro Ipiranga, zona sul da capital, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva define estratégias e toma decisões que sobrepõem, muitas vezes, a própria instância partidária.
 
Foi dali que Lula traçou boa parte das estratégias eleitorais do PT nas eleições municipais. Dali também conteve, semana passada, o ímpeto de alguns petistas de divulgar um manifesto em defesa dos condenados no julgamento do mensalão. Na noite da última quarta-feira, Lula recebeu no instituto o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino e convenceu ambos de que não se tratava do momento ideal para manifestações.
 
A instituição foi criada com base na Lei 8.394/91, que atribui a ex-presidentes a responsabilidade de tornar acessível ao público o acervo privado obtido no exercício do cargo. Pelo estatuto, trata-se de algo "apartidário e independente de partidos políticos". No início da disputa eleitoral, a estrutura foi ampliada com o aluguel de um sobrado vizinho para a instalação de um estúdio.
 
O prédio de três pavimentos tem área de lazer com piscina. No local foi gravada a propaganda para candidatos petistas de mais de 90 cidades, com participação de Lula - foi uma maneira de facilitar sua aparição em programas de TV, já que o ex-presidente se recupera do tratamento contra um câncer na laringe.
 
Na terça-feira passada, a agenda privada do ex-presidente incluiu as visitas do megaempresário Eike Batista e do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, advogado de um dos réus do "mensalão". Reuniões partidárias com as presenças de dirigentes petistas, como o presidente nacional Rui Falcão, o secretário geral de Organização Paulo Frateschi e o líder do partido na Câmara dos Deputados, Jilmar Tatto, costumam avançar a noite.
 
Com a eleição de Fernando Haddad em São Paulo, o instituto passou a ser referência também para a composição do novo governo. Na quinta-feira, Lula recebeu Marcio Pochmann, candidato petista derrotado em Campinas, para discutir seu aproveitamento na equipe de Haddad. A agenda oficial recente incluiu visitas de ex-presidentes e personalidades internacionais, como Nicolas Sarkozy, ex-presidente da França; Fernando Lugo, presidente deposto do Paraguai, e a primeira-dama do Peru, Nadine Heredia. Na agenda privada, estavam o marqueteiro João Santana, o publicitário Valdemir Garreta, o advogado Roberto Teixeira, amigo e compadre de Lula, e o gerente de comunicação da Petrobrás, Wilson Santarosa.
 
Conforme o site oficial, o Instituto é mantido por doações de empresas e pessoas que se identificam com seus objetivos, mas a relação de doadores não é divulgada, assim como as despesas bancadas. Um dos objetivos declarados é a construção do Memorial da Democracia em que o ex-presidente será a figura central. A entidade nasceu com o governo paralelo que Lula estruturou após ser derrotado nas eleições de 1989 para acompanhar criticamente o governo de Fernando Collor de Mello, com o nome de Instituto da Cidadania. No ano passado, com Lula fora da Presidência, transformou-se no Instituto Lula tendo seu patrono como presidente de honra.
 
A instituição é dirigida pelo amigo pessoal e "braço direito" de Lula, Paulo Okamoto, com assessoria de Clara Ant, sua ex-assessora na Presidência, e dos ex-ministros Luis Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) e Paulo Vanucchi (Direitos Humanos). O estatuto aprovado em agosto de 2011 sofreu mudanças recentes. As novas normas ainda não foram postadas no site. Okamoto disse que o objetivo da mudança foi possibilitar maior atuação na área cultural. O foco central continua sendo "a cooperação do Brasil com a África e a América Latina". (Texto do Valor Econômico)
 
Postado pelo Lobo do Mar